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EUCLIDES DA CUNHA-BA: PROFESSORES PARADOS E ALUNOS SEM AULA

29/09/2015 13:06

Findo o prazo dado pelos professores da Rede Municipal de Ensino para que a Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha efetuasse o pagamento complementar do mês de agosto, a categoria não teve o pagamento efetuado e, insatisfeitos, cumpriram com o que haviam acertado em assembleia realizada na última quarta-feira e entraram em greve, paralisando as atividades em todas as escolas da rede municipal.

Acampados no canteiro central em frente ao Centro Administrativo de Euclides da Cunha, os grevistas se dirigiram para a sede da prefeitura e ocuparam o saguão e os corredores, onde entoaram os Hinos Nacional Brasileiro, da Independência, de Euclides da Cunha, além de palavras de ordem pedindo mais respeito pela categoria e o pagamento complementar referente ao salário de agosto.

Como ninguém da administração municipal apareceu para dar explicação plausível, os grevistas deixaram o local e cantando a música ‘Pra não dizer que não falei de flores (Caminhado e Cantando)’ - de autoria do cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré, música que marcou os movimentos populares contra o regime militar de 1964-, se dirigiram para o prédio da Secretaria Municipal da Educação e, de forma ordeira, ocuparam a entrada principal e repetiram o mesmo procedimento adotado anteriormente, inclusive pedindo a presença da secretária municipal. 

Desta vez, o pedido foi atendido e a titular da pasta da Educação apareceu e, ali mesmo, travou um “diálogo” com representantes da Aplb e alguns professores que se manifestaram espontaneamente sobre a situação atual da categoria e até houve quem se manifestasse contrário à forma de como está sendo conduzida a Educação do Município, em resposta ao que está sendo colocado pela prefeitura municipal para a população, em notas, redes sociais, conversas, entrevistas em programa de rádio, etc., responsabilizando a categoria pelo fraco desempenho apresentado pela clientela do Ensino Fundamental e o baixo índice em que se encontra o Município divulgado pelo Ideb, e até a divulgação, de forma generalizada, da remuneração desses profissionais, aquisição de veículo, bens, etc., segundo foi colocado por uma professora.

Em dado momento, no calor das discussões, com perguntas articuladas e fundamentadas pelos grevistas e respostas que objetivavam claramente transferir para outro campo o assunto do encontro, o diálogo improvisado chegou a ter intervenções diversas com vários professores querendo ao mesmo tempo expor o seu pensamento e desta forma a secretária era bombardeada por perguntas e mais perguntas da massa insatisfeita, que o que queria mesmo era ouvir da representante do Município, se receberiam e em que data, o complemento salarial em atraso; porém, mais uma vez, tiveram como resposta: “estamos nos esforçando para pagar no próximo dia 30 de setembro”. Mas, como a data prevista cai justamente no dia do vencimento de mais um mês trabalhado (setembro), foi perguntado se o salário em referência seria depositado integralmente e juntamente com o restante do mês de agosto em atraso? ... A resposta foi “não posso garantir”. 

Em dado momento, num lapso de infelicidade, talvez, a secretária fez uso de um linguajar inadequado ao dizer que “neguinho não sabe do que se passa na secretaria e sai por ai falando o que não deve”. A expressão provocou reação imediata dos professores que a alertaram de que ela estava tratando com professores e não com “neguinhos”, o que provocou o imediato pedido de desculpa e a retirada do termo vulgar proferido. 

Como o encontro se deu de maneira aberta com servidores públicos da educação insatisfeitos, irritados e dispostos a lutar em qualquer situação em defesa dos seus direitos assegurados constitucionalmente, - quando deveria ser formada uma comissão e o assunto discutido em uma sala reservada do prédio da secretaria-, evidentemente que a tendência era mesmo de não se chegar a um acordo, mesmo a secretária dizendo que “estava a favor dos professores” quando questionada de que lado estava. “Causou a impressão de que viera nos encontrar com a intenção de mostrar para a categoria que não tem medo de nos enfrentar”, comentou um grevista.

Sem sucesso e sem a certeza de que receberão, ao menos, a diferença que lhes é de direito e que não foi pago integralmente, os professores deixaram o local e continuaram com o firme propósito de manter a greve até que a prefeitura municipal volte a pagar os salários integralmente e na data definida anteriormente em reunião com representantes da categoria.  

Alguns alunos e mães que têm filho matriculado em escolas da Rede Municipal de Ensino participaram da manifestação e declararam apoio aos professores.

Ao final do encontro entre as partes, por iniciativa dos próprios professores que perceberam que não haveria resposta afirmativa e deram início a dispersão voltando para os toldos onde se encontram acampados, este repórter foi convidado pela secretária municipal da Educação para conhecer as instalações do prédio da secretaria e em cada sala visitada enfatizou a organização implantada em sua gestão, organização documental de cada profissional, segundo ela, preenchimento de vagas para suprir deficiência organizacional e tornar o órgão mais eficiente nos trâmites burocráticos, como forma de resposta aos grevistas que reclamaram contra o excesso de professores nos diversos setores da secretaria (desvio de função), privilégios e vantagens de alguns em relação aos demais. 

Ao ser perguntada sobre o motivo do descumprimento do pagamento integral dos salários da categoria e alternância na data fixada mediante Termo de Ajuste de Conduta (TAC) proposta pelo Ministério Público, segundo os professores, disse: “o Município precisa regularizar sua situação junto à Previdência Social, sob pena de ser punido com a suspensão dos repasses de verbas federais, que poderia agravar muito mais a situação do Município”, pontuou.

 

Formosa News, a informação a todo o momento. Fonte: Euclides da Cunha.com

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